China: cardeal ataca a falsa "pax" sino-vaticana; Xi Jinping sugere mais repressão a opositores

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jzSe por acaso for afirmado um acordo entre a China comunista e a Santa Sé, ele virá com “a aprovação do Papa”. Mas nem mesmo nesse caso os fiéis estarão obrigados a levá-lo em consideração, se julgarem “em consciência” que é “contrário à fé”, instruiu o Cardeal Joseph Zen, arcebispo emérito de Hong Kong, noticiou o site “Vatican insider”.

O Cardeal lidera a resistência católica à falsa “pax sino-vaticana” que parece estar tomando forma durante encontros silenciosos de funcionários comunistas chineses com representantes do Vaticano com o aval do Papa Francisco.

O alto prelado salesiano exortou os católicos chineses a adotar uma atitude de resistência diante de acordos e praxes pastorais combinados entre Pequim e o Vaticano, ainda que aprovados pelo pontífice romano.
O Cardeal iniciou a exortação, publicada em seu blog, dirigindo-se inicialmente aos católicos que gemem no continente sob a bota marxista:
“Irmãos e irmãs do Continente, devemos agir com honra!”, escreveu, censurando os maus católicos que “estão do lado do governo” e os “oportunistas na Igreja” que “auspiciam que a Santa Sé assine um acordo para legitimar sua situação anômala”.

Segundo o Cardeal, esses “oportunistas na Igreja” ficam agora trombeteando que é necessário estar “prontos para ouvir o Papa” e obedecer “tudo o que ele dirá”. Essa proposta é feita por aqueles que se destacavam pela sua pouca fidelidade a Roma e ao Papado!

“Não devemos criticar toda ou qualquer coisa aprovada pelo Papa”, esclareceu o Cardeal Zen. Deve ser evitada toda atitude que implique uma crítica direta ao Papa. Porém, se acontecer de o Pontífice adotar uma praxe que vai contra os fundamentos da fé, ou contra a reta consciência iluminada pela fé, ele não deve ser acompanhado.


Para explicar o que pode constituir na China de hoje um atentado contra os fundamentos da fé, o arcebispo emérito de Hong Kong citou a Carta do Papa Bento XVI aos católicos chineses em junho de 2007.
Nessa carta ficou bem estabelecido que os chamados “princípios de autonomia, independência, autogestão e administração democrática da Igreja”, professados pela Associação Patriótica e outros organismos “patrióticos” que se dizem católicos mas obedecem ao aparato comunista chinês, são “inconciliáveis” com a doutrina católica.

Um acordo entre Pequim e o Vaticano que de algum modo aceitasse esses princípios iria contra os fundamentos da fé e não poderia ser seguido, ainda que o Papa o chancele. “Vós, irmãos e irmãs do Continente, jamais e absolutamente podeis aderir à Associação Patriótica”, sublinhou o Cardeal.
Na parte final de sua exortação, o Cardeal Zen prognostica um futuro catacumbal para os fiéis que não queiram aceitar o acordo entre a China comunista e a Santa Sé. Ele disse que os católicos autênticos deverão estar prontos a renunciar à prática pública dos sacramentos e à vida eclesial que ainda subsiste, embora muito hostilizada pelo regime.
“No futuro – explicou o purpurado, equiparando os efeitos de um possível acordo China-Vaticano com as perseguições cruentas dos anos da Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung – pode-se temer que não tereis nenhum local público para rezar, mas podereis rezar apenas em casa; e ainda que não possais receber os sacramentos, o Senhor Jesus descerá até os vossos corações. E se não for possível agir como sacerdotes, podereis voltar a trabalhar os campos. Mas o sacerdote permanece sacerdote para sempre”.
A mensagem do Cardeal conclui com uma nota de esperança. A “resistência” que ele antevê contra o acordo Pequim e a Sé Apostólica poderia ser breve:
“A Igreja primitiva teve de esperar 300 anos nas catacumbas. Acredito que não teremos que esperar tanto. O inverno está para acabar”.

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Xi Jinping prega nova “Longa Marcha” para suprimir facções internas
O secretário-geral do Partido Comunista e presidente da China, Xi Jinping, depositou uma coroa de flores no monumento comemorativo do fim da “Longa Marcha”, que consagrou a implantação da ditadura de Mao Tsé-Tung, noticiou “AsiaNews”. 

Xi Jinping foi até Jiangtaibao, Ningxia, onde convocou os compatriotas a “empreenderem uma nova Longa Marcha” para realizar o “sonho chinês”, por ocasião da comemoração do centenário da fundação do Partido Comunista (1921-2021) e dos 100 anos da criação da República Popular (1949-2049).

Realizada em 18 de julho, a visita revestiu-se do habitual valor supersticioso de uma romaria às fontes do Partido Comunista e visou exaltar a figura do próprio Xi enquanto herdeiro da tradição comunista de Mao.

A “Longa Marcha” (1934-35) tem um valor mitológico: foi empreendida pelo Exército Vermelho que fugia das tropas nacionalistas de Chiang Kai-Chek.

A manobra consolidou o poder de Mao Tsé-Tung sobre todos os comandantes comunistas pela eliminação das facções que não se lhe submeteram.
A visita teve um sentido análogo: aconteceu na véspera do encontro dos líderes do partido em Beidaihe, Hebei. Xi Jinping se julga cada vez mais abalado e quer esmagar as facções partidárias, como outrora fez Mao.

Ele pensa lançar novas estratégias e planos para o Partido, dessangrado de militantes, desanimado ideologicamente, enfrentando motins operários em ambiente de crise econômica e humilhado pelo crescimento da religião.

A nova “Longa Marcha” poderá se traduzir em expurgos, eliminação de dissidentes e reforço da ditadura que se sente cada vez mais isolada em seu país.

Publicado no blog Pesadelo Chinês.
Luis Dufaur, escritor, jornalista, conferencista de política internacional, é sócio do IPCO e webmaster de diversos blogs.

Extraído de: http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/china/16694-2016-08-29-23-18-53.html

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