Bunkers de US$ 2 mi viram mania entre ricaços brasileiros

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Os bunkers não são apenas privilégio de personagens históricos como Adolf Hitler e locais de proteção para presidentes americanos. No Brasil, o medo da violência e a insegurança fizeram com que pelo menos 110 famílias - 82 só no Estado de São Paulo - adotassem o abrigo subterrâneo normalmente usado em tempos de guerra para dormirem mais tranqüilas.


Cada abrigo pode custar de US$ 50 mil a US$ 2,5 milhões e resiste a tudo: tiros de fuzil, incêndios e desabamentos. Os criminosos podem cortar o abastecimento de água, desligar o telefone, colocar fogo na casa, e nada acontecerá a quem estiver no bunker. As paredes são feitas de concreto usado na construção de viadutos e entrelaçadas com ferro. No meio, há uma barra de aço - a espessura varia de 40 cm a 1 metro.

Os bunkers são como casas: têm suítes, sala, cozinha e banheiro. São construídos antes da residência, mas podem se adaptar a edificações já erguidas. Segundo Ricardo Chilelli, 49 anos, diretor da RCI Consultoria e especialista em segurança, os abrigos de hoje estão longe de ser sombrios e desconfortáveis como os usados durante a 1ª e 2ª Guerra Mundial. Agora, são decorados com móveis e artigos de luxo, para se parecerem o máximo possível com uma casa. ?Já tivemos que fazer uma maquete de tamanho real para que um decorador pudesse trabalhar. Depois colocamos tudo lá dentro. Ninguém pode ter acesso ao local?, diz.

Até hoje, apenas duas famílias acionaram os abrigos no Brasil, mas eram alarmes falsos. Segundo Chilelli, só 20% desses bunkers são realmente necessários. ?Freqüentemente as pessoas que pedem bunkers moram no Morumbi, estão perto da polícia. Mas só são indicados para quem está em casas afastadas, longe do resgate. Mas eles insistem?, diz.

Cada bunker fica a pelo menos três metros do solo e pode demorar até um ano para ficar pronto, dependendo de sua complexidade. Durante a construção, equipes se revezam para construir cada parte do projeto, de forma a não terem idéia do todo. ?Se a informação vazar, toda a eficácia do abrigo é colocada em xeque?, afirma Chilelli. O bunker é capaz de abrigar uma família inteira por 30 dias, com água, luz e comida abundante.

Segundo Chilelli, o abrigo deve ser o último recurso usado na segurança, depois que todos os outros - como portas, janelas e arquitetura blindadas, câmeras e acesso por biometria - foram aplicados. ?Não adianta ter um bunker e não ter o controle de tudo o que acontece na casa por monitoramento?, diz.

Chilelli é dono da consultoria sediada em Miami (EUA) que coordenou - entre outros projetos - a segurança do casamento do jogador Ronaldo com a modelo e apresentadora Daniela Cicarelli. Ele também é responsável pela cantora Madonna em suas viagens à América Latina e pela segurança de 54 de famílias de grandes empresários brasileiros.

O maior bunker construído por Chilelli está localizado abaixo de um campo de golfe em Indaiatuba, 102 km a noroeste de São Paulo, na propriedade do dono de uma grande construtora brasileira. O abrigo de 180 metros quadrados custou US$ 1 milhão.

O empresário explica que o Brasil é um dos países da América Latina com mais bunkers. O ranking é liderado pela Colômbia (1 mil abrigos domésticos), que enfrenta há décadas o problema das guerrilhas armadas. O maior do mundo é de um grande empresário mexicano e tem 300 metros quadrados. Ao custo de US$ 2,5 milhões, conta com quatro suítes.

O próprio Chilelli admite que implantar bunkers domésticos é um exagero na maioria dos casos, já que é pouco provável que eles sejam algum dia utilizados. "O maior risco para pessoas visadas continua sendo a rua, os locais públicos", explica. Ele salienta que grande parte dos milionários teme a possibilidade de se tornar refém. Contra esse temor, vale tudo, mesmo que seja apenas para dormirem tranqüilos.


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